Novembro Azul em Suzano: como cuidar da saúde do homem pela unidade básica
Novembro Azul em Suzano: saiba quando procurar a UBS, como agendar consulta e quais exames de rotina conversar com o médico.

Na segunda-feira, 11 de dezembro de 2017, o então prefeito de Suzano, Rodrigo Ashiuchi, convocou a imprensa para anunciar a construção de um hospital regional na cidade. A primeira fase, um pronto-socorro, levaria um ano e meio e custaria cerca de R$ 25 milhões, quase tudo pago pelo governo federal. O presidente da República era Michel Temer. Quase nove anos depois, o país já teve mais dois presidentes, Suzano trocou de prefeito, a conta passou de R$ 65 milhões e o prédio, rebatizado de Hospital Federal de Suzano, ainda está em fase de acabamento. A previsão oficial de entrega é 2027, o ano em que a obra completa uma década.
A notícia mais recente sobre a obra saiu neste sábado, 7 de novembro, no Diário de Suzano: o governo federal liberou mais R$ 1,3 milhão em outubro, a prefeitura diz que ainda espera R$ 5,4 milhões da União e afirma que os trabalhos "não estão paralisados". A entrega segue prevista para 2027. Não há, até aqui, uma data.
O anúncio de 2017, registrado pelo g1, descrevia um projeto maior do que o prédio que está sendo terminado agora. O hospital teria quatro fases. A primeira seria o pronto-socorro, com custo estimado em R$ 25 milhões, dos quais a União pagaria cerca de R$ 24 milhões e a prefeitura, até R$ 4 milhões. Segundo o prefeito, o projeto "estava parado em Brasília". Ao governo do estado caberia o custeio da ampliação do atendimento, inclusive em ortopedia, apontada pelo então secretário municipal de Saúde, Luís Cláudio da Rocha, como o maior déficit da região.
"Vem em boa hora, vem na contramão da crise do País", disse Ashiuchi na época. A empresa vencedora da licitação, a Simétrica Engenharia, tinha 18 meses de contrato. A conclusão estava prevista para o segundo semestre de 2019.
No mesmo dia, a reportagem foi ao pronto-socorro de Suzano e encontrou espera de mais de duas horas e falta de cadeira de rodas na ortopedia. "O atendimento é péssimo porque não tem recurso. O governo promete e nada é feito", disse ao g1 o pedreiro Expedito dos Santos. A frase envelheceu mal para todos os governos que vieram depois.
A obra atravessou praticamente uma década de política brasileira sem chegar ao fim:
Nenhum deles inaugurou o hospital. Cada troca de governo trouxe um novo prazo, e cada prazo foi superado.
Pouco depois do início, a obra travou. Segundo a própria prefeitura relatou à imprensa local na época, a primeira empreiteira fez a etapa inicial, mas avisou que teria dificuldades para continuar. Os recursos federais, de cerca de R$ 26 milhões, chegaram a ser dados como praticamente perdidos, e a retomada só aconteceu depois de uma negociação entre a Caixa Econômica Federal, que acompanha o contrato, o governo federal, a prefeitura, a antiga empreiteira e a nova empresa. Hoje a executora é a Scopus Construtora e Incorporadora.
Desde então, as previsões foram sendo empurradas, ano após ano. Pelo que a prefeitura informou à imprensa regional:
Em 2017, o pronto-socorro custaria cerca de R$ 25 milhões. Em junho de 2026, a prefeitura informou um investimento total de R$ 65,9 milhões, mais de duas vezes e meia o valor anunciado. O que chama mais atenção, porém, é quem passou a pagar. A parte federal praticamente não mudou: eram cerca de R$ 24 milhões e hoje são R$ 22,9 milhões. A contrapartida da prefeitura, que seria de até R$ 4 milhões, chegou a R$ 42,9 milhões, mais de dez vezes o previsto. A prefeitura diz que esse dinheiro já foi todo aplicado.
O nome "Hospital Federal" ajuda a confundir. Em 7 de outubro de 2026, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, disse que a União já enviou R$ 15 milhões para a obra e descreveu o projeto como "um hospital municipal que pede recursos do Governo Federal para apoiar a construção". Segundo ele, o contrato é da Caixa, e novos repasses só saem "à medida que a execução for completa". O ministro não deu prazo de entrega.
Do lado da prefeitura, a versão é outra: em setembro, ela dizia esperar R$ 6,7 milhões da União; com o repasse de R$ 1,3 milhão em outubro, a pendência caiu para R$ 5,4 milhões. A prefeitura espera o dinheiro para concluir, e o ministério espera a obra avançar para liberar o dinheiro. Enquanto essa conta não fecha, o prédio não abre.
A prefeitura nega que a obra esteja parada. Segundo ela, as equipes trabalham agora na instalação de portas de madeira e tomadas, forros e pintura. Os números divulgados pela própria administração, no entanto, mostram um ritmo lento para uma obra que se diz na reta final: em julho de 2025, o hospital estava com 80% concluídos; em junho de 2026, com 85%; em setembro de 2026, continuava em 85%. São cinco pontos percentuais em pouco mais de um ano.
O prédio fica na esquina da Avenida Senador Roberto Simonsen com a Rua Sete de Setembro, na Cidade Cruzeiro do Sul, e tem dois andares e cerca de 9 mil metros quadrados. Alvenaria, cobertura, caixilhos, instalações elétricas e hidráulicas e a pavimentação externa já foram feitos, segundo a prefeitura. O que falta é o acabamento interno, e ele depende de dinheiro que ainda não chegou.
Mesmo que a obra seja concluída em 2027, terminar a construção não significa atender pacientes no dia seguinte. O projeto prevê prontos-socorros adulto e infantil e consultórios no térreo, diagnóstico por imagem no segundo andar, 40 leitos fixos e capacidade para até 25 mil atendimentos por mês. Para que isso funcione, ainda é preciso comprar e instalar equipamentos, contratar ou terceirizar a gestão, montar equipes e garantir o custeio mensal da unidade. Em 2017, a prefeitura disse que o custeio seria uma tarefa do estado. Nenhuma das reportagens recentes informa quem vai operar o hospital nem quem pagará a conta depois da inauguração.
E o pronto-socorro era só a primeira das quatro fases anunciadas em 2017. Das outras três, não se fala mais.
A região conhece bem esse caminho. O Hospital Regional de Ferraz de Vasconcelos, do governo do estado, foi criado por decreto em 1991 e, mais de três décadas depois, ainda convive com alas que demoraram anos para abrir ou reabrir. A ala psiquiátrica ficou fechada de 2014 a 2021. A UTI adulta só dobrou de tamanho em dezembro de 2023, já no governo Tarcísio, com 20 novos leitos e R$ 9,3 milhões de investimento. Em Suzano, o próprio Hospital Regional do Alto Tietê, unidade estadual instalada no prédio do antigo Hospital das Clínicas, só abriu em dezembro de 2023, apresentado pela prefeitura como o fim de uma espera de 30 anos. Em Poá, a UPA de Calmon Viana, projetada em 2012, segue de portas fechadas (leia a reportagem).
É comum, em Suzano e na região, que a demora seja explicada pelo governo anterior, pelo governo de outra esfera ou pelo repasse que não veio. Há um pouco de verdade em cada explicação, e é justamente por isso que nenhuma delas resolve. Em quase nove anos, a obra teve prefeitos do mesmo partido, presidentes de partidos adversários e governadores de três legendas diferentes. Todos tiveram tempo e nenhum entregou.
Enquanto isso, quem precisa de pronto-socorro em Suzano continua dependendo das mesmas portas de 2017. A cidade tem mais de 300 mil habitantes, e o hospital foi anunciado também como reforço para os vizinhos do Alto Tietê. Cada ano de atraso é um ano em que essa estrutura, paga com dinheiro público, não atende ninguém.
O Notícias do Alto Tietê vai acompanhar cada uma dessas respostas. As demais notícias da cidade estão na página de Suzano.
A construção foi anunciada pela Prefeitura de Suzano em 11 de dezembro de 2017, no governo do presidente Michel Temer e na gestão do prefeito Rodrigo Ashiuchi. A previsão inicial era entregar a primeira fase, um pronto-socorro, no segundo semestre de 2019.
A prefeitura prevê a entrega em 2027, sem data definida. Em setembro de 2026, a obra estava com 85% concluídos, e a administração ainda aguardava R$ 5,4 milhões do governo federal.
Em junho de 2026, a prefeitura informou investimento total de R$ 65,9 milhões, sendo R$ 22,9 milhões da União e R$ 42,9 milhões do município. Em 2017, a primeira fase tinha sido estimada em cerca de R$ 25 milhões.
A prefeitura afirma que não e diz que as equipes trabalham nos acabamentos. Pelos números da própria administração, porém, a obra passou de 80% para 85% entre julho de 2025 e junho de 2026 e seguia em 85% em setembro.
Prontos-socorros adulto e infantil, consultórios, diagnóstico por imagem, 40 leitos fixos e capacidade para até 25 mil atendimentos por mês. Quem vai operar a unidade ainda não foi divulgado.
Novembro Azul em Suzano: saiba quando procurar a UBS, como agendar consulta e quais exames de rotina conversar com o médico.
Passo a passo para moradores de Suzano agendarem a Carteira de Identidade Nacional, com documentos necessários, prazos e versão digital.
Resultado da eleição 2026 em Suzano: votos para presidente, governador e senador e os cinco deputados federais e estaduais mais votados na cidade.