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UPA de Calmon Viana: 14 anos de promessas, cinco prefeitos e um prédio fechado em Poá

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UPA de Calmon Viana: 14 anos de promessas, cinco prefeitos e um prédio fechado em Poá

Em março de 2015, o Diário de Suzano noticiou que Calmon Viana recebia um investimento de R$ 3,6 milhões, pelo PAC 2 do governo federal, para a sua Unidade de Pronto Atendimento (UPA). A obra era descrita como "grandiosa e de extrema importância para a população", e a entrega estava prevista para julho daquele ano. Onze anos depois, a UPA de Calmon Viana não atendeu um único paciente. O projeto começou em 2012, ainda no governo Dilma Rousseff, e já atravessou quatro presidentes, pelo menos cinco prefeitos de Poá e três emendas e convênios diferentes. O prédio, entre as ruas Padre Eustáquio e Timbiras, está de pé, mas de portas fechadas, sem data para abrir.

Enquanto a UPA não sai do papel no lado sul da cidade, o outro lado também encolheu. O Hospital Municipal Guido Guida, no centro, deixou de internar pacientes em 2021 e hoje funciona como pronto atendimento. A cidade que, há pouco mais de uma década, planejava ter um hospital no centro e uma UPA em Calmon Viana chega a 2026 com um único pronto atendimento municipal.

Da promessa de 2012 à obra parada

Segundo a própria Prefeitura de Poá, o processo de implantação da UPA começou em 2012. Com a aprovação do Ministério da Saúde, as obras começaram em 2014, lançadas pelo então prefeito Francisco Pereira de Sousa, o Testinha. O orçamento divulgado na época era de R$ 3,6 milhões, com cerca de R$ 2 milhões da União e R$ 1,6 milhão do município, dentro do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC 2).

Em 12 de março de 2015, o prefeito Marcos Borges (PPS) visitou a obra com o vereador Luiz Antônio Soares de Oliveira, o Tonho de Calmon, e a entrega foi anunciada para julho de 2015. O prazo não foi cumprido. Em janeiro de 2017, o Portalnews já registrava que a construção estava parada e que vários prazos de inauguração tinham ficado pelo caminho.

O abandono chegou ao ponto de virar problema de vizinhança. Em janeiro de 2020, um ofício da Câmara Municipal de Poá ao então prefeito, Giancarlo Lopes da Silva, o Gian Lopes, classificava como "urgentíssima" a limpeza do canteiro. O documento reiterava um pedido de 2019 e descrevia a obra paralisada, com mato alto, acúmulo de resíduos e água da chuva represada, que favorecia insetos e roedores e infiltrava nas casas vizinhas. Uma vistoria de 18 de fevereiro de 2019 confirmou as queixas dos moradores das ruas Padre Eustáquio e Timbiras.

Dois meses depois, em março de 2020, a prefeitura pediu uma readequação da planta física para destinar o prédio "a outros serviços". Os trabalhos, oficialmente, pararam ali.

Emendas, licitações e um novo prazo vencido

Em janeiro de 2021, a prefeita Márcia Bin assumiu dizendo que retomar e terminar a UPA era uma de suas principais metas. Em 27 de outubro daquele ano, ela anunciou uma emenda estadual de R$ 1,5 milhão, do deputado Cezar (PSDB), para a retomada. "Tão logo a emenda esteja liberada, vamos iniciar o processo de licitação para retomar a obra o quanto antes", disse. O deputado prometia que, com a UPA, Poá teria "duas unidades de Saúde para acolher os pacientes, sendo uma do lado norte e outra do lado sul da cidade".

A obra só voltou a andar com outra emenda, de R$ 2.550.777,85. Em maio de 2024, a prefeitura informou que o prédio estava na fase de acabamento e que a conclusão viria "até novembro deste ano". O projeto descrito tinha 1.830 metros quadrados, quatro consultórios e 12 salas, para curativos, suturas, medicação, triagem, assistência social, inalação, exames, gesso, observação, isolamento, raio-X e ultrassom. Novembro de 2024 passou, e a UPA não abriu.

Somados, os valores anunciados ao longo do caminho, R$ 3,6 milhões do convênio original e R$ 4,05 milhões das duas emendas estaduais, passam de R$ 7,6 milhões. É mais que o dobro do orçamento de 2015, para um prédio que, até agora, não presta nenhum serviço.

Quatro presidentes, cinco prefeitos e nenhuma inauguração

A UPA de Calmon Viana tem um histórico parecido com o de outra obra da região, o Hospital Federal de Suzano, anunciado em 2017 e ainda em acabamento. Nos dois casos, a obra sobreviveu a todos os governantes que a prometeram:

Em 2020, quando ainda era candidato, Saulo Souza (Avante) propôs instalar um Hospital de Diagnóstico e Imagem na "obra abandonada" da UPA. Eleito em 2024, ele não apresentou publicamente, até aqui, um plano, um prazo ou um orçamento para o prédio. No site da prefeitura, a notícia mais recente sobre a UPA de Calmon Viana ainda é o anúncio da emenda de 2021. No Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES), do Ministério da Saúde, não há nenhuma UPA registrada em Poá.

O hospital que virou pronto atendimento

A outra metade da história está no centro da cidade. O Hospital Municipal Doutor Guido Guida, na Rua Barão de Juparanã, era o hospital de Poá. Diretórios médicos ainda o listam com o nome antigo, "Hospital Municipal Doutor Guido Guida e Maternidade Maria de Nazaré", nome que remete ao tempo em que o endereço também abrigava uma maternidade.

Em julho de 2021, alegando uma "grave crise financeira", a prefeitura anunciou que o Guido Guida deixaria de ser hospital e passaria a ser pronto atendimento 24 horas, sem internação. Segundo a Secretaria de Saúde, o hospital custava cerca de R$ 4,5 milhões por mês, bancados quase só pelo município. Em setembro, a prefeitura oficializou o encaminhamento das internações para hospitais do estado, o Hospital Regional de Ferraz de Vasconcelos e o Santa Marcelina de Itaquaquecetuba. Em janeiro de 2022, a gestão do pronto atendimento passou para uma organização social, com custo estimado de R$ 2,5 milhões por mês, e 249 profissionais foram remanejados para a rede básica. No mesmo mês, o CS II, no centro, descrito como o posto de saúde mais antigo da cidade, foi fechado.

A prefeitura sustentou na época que a população não perdeu nenhum serviço. No cadastro do Ministério da Saúde, porém, a mudança está registrada: o antigo hospital aparece hoje como "Pronto Atendimento Dr. Guido Guida", sem centro cirúrgico, sem centro obstétrico e sem atendimento hospitalar. Na rede municipal, quem precisa ser internado, operado ou dar à luz é encaminhado para fora de Poá.

Desperdício de dinheiro e falta de projeto

Há explicações para cada etapa: o convênio federal que atrasou, a crise financeira da prefeitura, a pandemia, a troca de governo. Nenhuma delas explica por que uma unidade de 1.830 metros quadrados, prometida para 2015, segue fechada no fim de 2026. E nenhuma delas substitui o que faltou em todas as gestões: um projeto de saúde para a cidade, com começo, meio e fim.

Uma UPA não é só um prédio. Para funcionar, precisa de equipamentos, médicos e enfermeiros em plantão 24 horas e dinheiro para pagar tudo isso todo mês. Nenhum desses itens foi anunciado publicamente para Calmon Viana até hoje. Construir sem saber quem vai operar e com que recurso é a receita para o que se vê na Rua Padre Eustáquio: dinheiro público investido num prédio vazio, que envelhece antes de abrir, enquanto a cidade perde serviços em vez de ganhar.

O resultado, para quem mora em Poá, é concreto. Há pouco mais de uma década, o plano era ter um hospital no centro e uma UPA em Calmon Viana. Hoje, a cidade tem um pronto atendimento e um prédio fechado.

O que cobrar da prefeitura

As demais notícias da cidade estão na página de Poá.

Fontes e referências

Perguntas frequentes

Quando começou a obra da UPA de Calmon Viana?

O projeto começou em 2012 e as obras, em 2014, com recursos do PAC 2. A entrega chegou a ser anunciada para julho de 2015, mas a obra parou e foi abandonada nos anos seguintes.

A UPA de Calmon Viana já está funcionando?

Não. A última previsão divulgada, em maio de 2024, era terminar a obra até novembro de 2024. Até novembro de 2026, a unidade não foi inaugurada e não aparece no cadastro nacional de estabelecimentos de saúde do Ministério da Saúde.

Quanto dinheiro foi destinado à UPA de Calmon Viana?

O orçamento original era de R$ 3,6 milhões (cerca de R$ 2 milhões da União e R$ 1,6 milhão do município). Depois vieram duas emendas estaduais, de R$ 1,5 milhão e de R$ 2,55 milhões. Somados, os valores anunciados passam de R$ 7,6 milhões.

O Hospital Guido Guida ainda é hospital?

Não. Desde 2021, ele funciona como pronto atendimento 24 horas, sem internação, sem centro cirúrgico e sem centro obstétrico. Pacientes que precisam de internação são encaminhados a hospitais do estado, como o Regional de Ferraz de Vasconcelos e o Santa Marcelina de Itaquaquecetuba.

Onde fica a UPA de Calmon Viana?

Entre as ruas Padre Eustáquio e Timbiras, no bairro de Calmon Viana, em Poá.

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