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Complexo Viário do Alto Tietê em Suzano: as novas alças da SP-66 e o acesso pela Avenida Brasil

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Complexo Viário do Alto Tietê em Suzano: as novas alças da SP-66 e o acesso pela Avenida Brasil

O Rodoanel Mário Covas corta Suzano desde 2014, mas atravessar a cidade não é o mesmo que ter acesso a ela. Quando o Trecho Leste foi inaugurado, ligando a Rodovia Ayrton Senna à Presidente Dutra, o fluxo dos primeiros meses ficou cerca de 42% abaixo do previsto, segundo o Guia do TRC, publicação do setor de transporte de cargas. Parte da explicação estava no caminho até o anel viário, com poucos acessos a partir das cidades do Alto Tietê. É esse gargalo que o complexo viário em Suzano pretende desfazer, com duas novas alças da SP-66, um acesso pela Avenida Brasil e uma saída reformulada no sentido da Dutra.

A obra faz parte do Complexo Viário do Alto Tietê, executado pela SPMAR, concessionária dos trechos Sul e Leste do Rodoanel (SP-021), com o Governo do Estado, por meio da Secretaria de Parcerias em Investimentos. O investimento anunciado é de R$ 1,2 bilhão para todo o pacote, que também inclui intervenções em Poá. As frentes começaram em novembro de 2025, o lançamento oficial foi em 15 de janeiro de 2026 e, segundo a SPMAR, a obra passou de 30% de avanço físico no início de setembro de 2026, com conclusão prevista para o fim de 2027. O panorama completo, com a linha do tempo, está na página Complexo Viário do Alto Tietê.

O complexo viário em Suzano, peça por peça

Pelo projeto divulgado pela SPMAR e pelo Governo do Estado, a parte suzanense do complexo tem quatro componentes principais:

Esses componentes se somam a estruturas que Suzano compartilha com Poá: a marginal paralela à pista externa do Rodoanel, com 1,7 quilômetro de viadutos sobre a várzea do Tietê, a remodelação da rotatória próxima ao limite entre os dois municípios e o novo viaduto da SP-66, conhecido em Poá como Viaduto das Orquídeas. No total, segundo a SPMAR, o complexo tem seis alças de acesso e 12 obras de arte especiais, entre viadutos e pontes, que somam 4,23 quilômetros.

A Avenida Brasil, que dá nome ao novo acesso, já recebeu uma das operações mais visíveis da obra. Em 25 de março de 2026, o trecho próximo à divisa com Poá, na altura do número 1.300, teve quatro bloqueios de cerca de 15 minutos para o içamento de vigas, segundo a Prefeitura de Poá. No sentido Suzano, o desvio foi feito pela Avenida Getúlio Vargas e pela Rua Lilian.

Ruas que mudam de sentido e a nova via paralela à Norma Favale

O complexo não termina nas alças. Para que o tráfego que sai do Rodoanel não trave os bairros, a SPMAR prevê uma série de ajustes no viário de Suzano:

A concessionária ainda não publicou o desenho final de cada mão de direção, e a orientação é acompanhar os comunicados. Segundo a SPMAR, mudanças no trânsito e nas linhas de ônibus serão avisadas com faixas, imprensa local, redes sociais e o site oficial. A ordem das frentes também foi divulgada: primeiro a Avenida Brasil, a Avenida Major Pinheiro Fróes e as áreas junto ao Rodoanel; depois a rotatória de Poá; por último, a área próxima à linha do trem, que será cruzada por viaduto sem interromper a circulação dos trens, com a possibilidade de uma interdição de fim de semana avisada com antecedência.

Para quem mora perto das frentes, a SPMAR afirma que nenhuma casa com morador será desapropriada e que as desapropriações atingem apenas áreas de empresas. Equipes identificadas com crachá e uniforme podem pedir autorização para medir e avaliar imóveis próximos, por segurança estrutural, o que não significa desapropriação. O plano ambiental prevê controle de poeira, ruído e resíduos, e o projeto inclui passarela para pedestres e ciclovias.

Sentido Dutra, Ayrton Senna e ABC: o que muda para a indústria

Suzano tem mais de 300 mil habitantes e um dos perfis industriais mais definidos da porção leste da Região Metropolitana, com papel e celulose, química, metalurgia, embalagens, alimentos e, mais recentemente, operações logísticas, como descreve o Guia de Suzano. Para esse parque, o Rodoanel é a saída para quase tudo: pelo Trecho Leste chega-se à Ayrton Senna e ao Aeroporto de Guarulhos, à Dutra e ao Vale do Paraíba, e, no outro sentido, a Mauá e ao Trecho Sul, que leva às rodovias do litoral.

No lançamento da obra, o secretário estadual de Parcerias em Investimentos, Rafael Benini, afirmou que os novos acessos devem "ampliar a capilaridade logística ao possibilitar a ligação direta entre bairros e áreas industriais ao anel viário". Em termos práticos, o caminhão que sai de uma fábrica suzanense passa a ter mais de uma porta de entrada no Rodoanel, e parte do tráfego pesado deixa de disputar a rotatória da divisa com carros e ônibus.

O acesso sentido Dutra é o mais relevante para quem produz para o Vale do Paraíba, o Rio de Janeiro ou o Aeroporto de Guarulhos. As alças da SP-66 atendem o eixo que liga Suzano a Poá e a Mogi das Cruzes. O acesso pela Avenida Brasil aproxima o anel viário dos bairros próximos à divisa com Poá. O impacto sobre prazo de entrega e frete, porém, depende de cada operação, e não há, até o momento, estudo público que quantifique o ganho por empresa.

Os precedentes mostram que acesso rodoviário costuma atrair investimento, mas não do dia para a noite. Cajamar passou a receber condomínios logísticos em escala a partir de 2013, favorecida pelo acesso à Anhanguera, ao Rodoanel e à Bandeirantes, e acumula o maior estoque de galpões de alto padrão do país, com mais de 2,9 milhões de metros quadrados, segundo a consultoria Cushman & Wakefield. Na Zona Leste da capital, a Avenida Jacu-Pêssego, que liga a Ayrton Senna ao Rodoanel, virou eixo de centros de distribuição e ganhou perímetros de incentivo ao desenvolvimento da Prefeitura de São Paulo. Nenhum dos dois casos é garantia de repetição em Suzano: prazo de obra, oferta de terrenos, juros e demanda por galpões pesam tanto quanto o acesso. A discussão sobre o eixo logístico entre as duas cidades está em Novo acesso ao Rodoanel Leste consolida Poá e Suzano como hub logístico estratégico.

A ligação com Poá pelo Viaduto das Orquídeas

Para o morador de Suzano que trabalha em Poá, ou o contrário, a mudança mais imediata está na SP-66. O novo viaduto, com mais de 340 metros, fará a ligação direta entre as duas cidades nos dois sentidos, sem passar pela rotatória. Segundo a SPMAR, mais de 24 mil veículos circulam diariamente pela rodovia no trecho de Poá, e a rotatória é o principal acesso entre os municípios.

Desde a última semana de agosto de 2026, os motoristas que seguem pela SP-66 e precisam acessar a rotatória usam uma via auxiliar, com desvio à direita, que liberou a parte central da rodovia para a obra. A próxima etapa anunciada pela concessionária é o içamento das vigas sobre a SP-66, na divisa entre Suzano e Poá, operação que costuma exigir bloqueios curtos e programados.

Empregos e o que acompanhar até 2027

A SPMAR estima cerca de 3 mil empregos diretos e indiretos durante a obra e aproximadamente R$ 25 milhões em impostos para os municípios. Em 5 de setembro de 2026, a Prefeitura de Suzano divulgou 30 vagas para trabalhar nos canteiros de Suzano e Poá, pelo programa Suzano Mais Emprego, com prioridade para moradores da cidade e da região. Metade era para auxiliar geral, função que não exige experiência, e as demais para cargos como carpinteiro, eletricista de manutenção, operadores de máquinas e caminhões, apontador e desenhista projetista.

Nos próximos meses, os marcos a observar são:

Fontes e referências

Perguntas frequentes

Quais são as obras do Complexo Viário do Alto Tietê em Suzano?

São duas novas alças da Rodovia Henrique Eroles (SP-66) ao Rodoanel, um novo acesso com dois viadutos pela Avenida Brasil e um novo acesso sentido Dutra, que substitui a alça existente. Há ainda ampliação de trechos da Avenida Major Pinheiro Fróes e ajustes em ruas do entorno.

Vai ter mudança de mão nas ruas de Suzano?

Sim. A SPMAR prevê adequação de sentido nas ruas Norma Favale e Jossei Toda e na Avenida Paul Percy Harris, além de uma nova via paralela à Norma Favale. Os detalhes devem ser comunicados antes de cada mudança.

Quando os novos acessos ficam prontos?

A conclusão está prevista para o fim de 2027, com entregas por etapas. No início de setembro de 2026, a obra tinha passado de 30% de avanço físico, segundo a SPMAR.

Casas serão desapropriadas em Suzano?

Segundo a SPMAR, nenhuma casa com morador será desapropriada; as desapropriações atingem apenas áreas de empresas. Visitas de equipes identificadas para cadastrar imóveis próximos servem para avaliar a segurança estrutural.

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