Entulho e móveis velhos em Mogi das Cruzes: como descartar do jeito certo
Veja como descartar entulho, móveis e volumosos em Mogi das Cruzes pelos canais oficiais, com limites de volume e o que não pode ser levado.

Na viagem inaugural, em 6 de novembro de 1875, o trem que saiu da capital chegou a Mogi das Cruzes e não encontrou prédio algum à sua espera. A estação existia no papel e num terreno demarcado ao lado dos trilhos; o edifício viria depois. Ainda assim, a data entrou para a memória da cidade como o dia em que Mogi passou a estar a poucas horas de São Paulo. Em 6 de novembro de 2026, a estação de Mogi das Cruzes completa 151 anos, e a trajetória dela ajuda a explicar como uma vila do século XVI virou polo do Alto Tietê.
A linha que chegou a Mogi foi obra da Estrada de Ferro do Norte, também chamada Estrada de Ferro São Paulo–Rio. A companhia foi organizada em 1869 por fazendeiros e investidores ligados ao café do Vale do Paraíba, com um objetivo claro: ligar a ferrovia que descia de São Paulo para o porto de Santos à Estrada de Ferro Dom Pedro II, que avançava a partir do Rio de Janeiro.
O ponto de partida era a chamada Estação do Norte, no Brás, junto aos trilhos da São Paulo Railway. Em 1875, os trilhos avançaram do Brás rumo ao leste e, em 6 de novembro, a linha foi aberta até Mogi das Cruzes, passagem tradicional de quem seguia para o Vale. Nos jornais da época, o acontecimento foi noticiado como a abertura da linha do Norte até Mogi, com poucas referências às paradas intermediárias do percurso.
Dali, os trilhos seguiram pelo vale do Paraíba do Sul. Em 12 de maio de 1877, a ferrovia alcançou Cachoeira, a atual Cachoeira Paulista, onde encontrou a linha que vinha do Rio. A inauguração oficial da ligação, em 8 de julho de 1877, foi celebrada com festa: pela primeira vez, era possível viajar de trem entre a capital do Império e a capital da província de São Paulo.
O registro mais curioso da estação Mogi das Cruzes na história da ferrovia é justamente o do começo. Reportagens publicadas nos dias seguintes à inauguração contam que, na chegada do trem, havia apenas o terreno reservado para a futura estação. Em 1879, o prédio já estava de pé: naquele ano, leitores reclamavam nos jornais do botequim que funcionava ali, sinal de que a parada já tinha estrutura e movimento próprios.
A partir daí, a estação acompanhou o crescimento da cidade, prédio após prédio:
A estação fica na Praça Sacadura Cabral, no Centro, e integra a Linha 11-Coral, entre as estações Braz Cubas e Estudantes.
A ligação entre São Paulo e Rio nasceu com um problema técnico. A Estrada de Ferro do Norte foi construída em bitola métrica, mais barata, enquanto a Dom Pedro II usava bitola larga. Em Cachoeira, passageiros e cargas precisavam trocar de trem, a chamada baldeação, o que encarecia o frete e tornava a viagem mais lenta.
Com dificuldades financeiras, a Estrada de Ferro do Norte acabou incorporada à Estrada de Ferro Central do Brasil, nome que a Dom Pedro II recebeu depois da Proclamação da República. A Central alargou a bitola da antiga linha paulista em etapas, e o trecho inteiro ficou pronto em 1908. A partir daí, o chamado ramal de São Paulo passou a integrar a ligação ferroviária direta entre Rio e São Paulo, sem troca de trens no caminho.
Ao longo do século XX, a importância da linha para Mogi mudou de natureza. O trecho entre Mogi e São José dos Campos perdeu função no fim dos anos 1980, substituído por uma variante mais ao norte, e o transporte de passageiros entre Rio e São Paulo terminou em 31 de outubro de 1998, com o fim do Trem de Prata. O que ficou, e cresceu, foi o trem de subúrbio.
Para Mogi das Cruzes, a ferrovia foi primeiro uma via de escoamento e, depois, uma ponte diária com a capital.
Nas primeiras décadas, o trem encurtou a distância para o mercado de São Paulo e para o porto de Santos, com reflexos no comércio e na produção agrícola da região. A estação chegou a ter acomodações para imigrantes, demolidas por volta de 1900, e funcionava como porta de entrada de notícias: já em novembro de 1875 contava com serviço de correio, e, décadas depois, era ali que chegavam os jornais da capital.
Com os trens de subúrbio, que circulam no ramal desde 1914, a relação se inverteu. Mogi passou a mandar gente para São Paulo todos os dias. Ainda em 1897, moradores pediam trens de subúrbio para a cidade; nas décadas seguintes, a proximidade da estação virou argumento de venda de terrenos para quem precisava trabalhar na capital. Em 1928, esse apelo já aparecia em anúncios de jornal.
Na metade do século XX, a estação era o fim da linha dos subúrbios da Central, e a cidade reclamava do serviço. Em 1960, uma publicação de geografia descrevia as viagens de operários e estudantes entre Mogi e São Paulo, nas mais de duas dezenas de trens de subúrbio diários, como demoradas e desconfortáveis. A modernização viria aos poucos, com a troca de trens e de estações nas décadas seguintes.
Em 1976, a abertura da estação Estudantes, criada para atender as universidades da cidade, estendeu os trens metropolitanos além do centro, e a estação central deixou de ser a ponta da linha.
Esse movimento ajudou a desenhar o Centro de Mogi como o conhecemos: comércio concentrado nas ruas próximas aos trilhos, terminais de ônibus articulados à estação e bairros inteiros que cresceram ao longo da ferrovia, de Braz Cubas a Jundiapeba.
A administração da estação passou por várias mãos. Depois da Estrada de Ferro do Norte e da Central do Brasil, vieram a Rede Ferroviária Federal, a partir de 1975, e a Companhia Brasileira de Trens Urbanos, em 1984. Em 1994, a linha passou ao Estado de São Paulo e à Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), dentro do que é a atual Linha 11-Coral, que liga a região central da capital à estação Estudantes. Em 2026, a linha passou a integrar a concessão do lote Alto Tietê: desde 26 de outubro, os trens são operados pela concessionária Trivia Trens, com supervisão da CPTM em uma etapa de transição prevista até 25 de novembro.
A estação é também ponto de integração com o Terminal Central de ônibus municipais, o que a torna um dos principais nós de transporte da cidade. A próxima etapa está ligada à concessão das linhas 11, 12 e 13, leiloadas pelo Governo de São Paulo em março de 2025 no chamado lote Alto Tietê: o projeto prevê a reconstrução da estação Mogi das Cruzes, além das de Estudantes e Jundiapeba, e o prolongamento da linha até o distrito de César de Souza, antiga reivindicação da população local.
Em 6 de novembro de 1875, com a abertura da linha da Estrada de Ferro do Norte entre a capital e Mogi. O prédio da estação, porém, só foi construído depois da viagem inaugural.
A Linha 11-Coral, que liga a região central de São Paulo à estação Estudantes, também em Mogi. A estação fica na Praça Sacadura Cabral, no Centro.
Não. A estação foi ampliada e reconstruída várias vezes, com novos prédios em 1918, em 1929 e nos anos 1980, além da ampliação reinaugurada em 1958.
O projeto do lote Alto Tietê prevê a reconstrução da estação Mogi das Cruzes e o prolongamento da Linha 11 até César de Souza, obras distribuídas ao longo do contrato de concessão.
Veja como descartar entulho, móveis e volumosos em Mogi das Cruzes pelos canais oficiais, com limites de volume e o que não pode ser levado.
Resultado da eleição 2026 em Mogi das Cruzes: votos para presidente, governador e senador e os cinco deputados federais e estaduais mais votados na cidade.
Guia da Linha 12-Safira para moradores de Itaquaquecetuba: estações, integrações, ligação com a capital e a história da linha.