Resultado da eleição 2026 em Guararema: presidente, governador, senador e os deputados mais votados
Resultado da eleição 2026 em Guararema: votos para presidente, governador e senador e os cinco deputados federais e estaduais mais votados na cidade.

Quem desce do trem turístico na estação de Guararema, numa manhã de fim de semana, pisa num lugar que ajudou a desenhar a cidade inteira. Em 2 de julho de 1876, os trilhos da Estrada de Ferro do Norte chegaram ao povoado às margens do Rio Paraíba do Sul e inauguraram ali uma parada. Cento e cinquenta anos depois, completados em 2 de julho de 2026, a história da estação de Guararema se confunde com a própria formação do município: primeiro veio a ferrovia, depois o crescimento do arraial e, só então, a emancipação.
A linha nasceu de um interesse econômico claro. Em 1869, fazendeiros e investidores ligados ao café do Vale do Paraíba constituíram a Companhia São Paulo e Rio de Janeiro, responsável pela ferrovia que ficaria conhecida como Estrada de Ferro do Norte. O objetivo era escoar a produção das fazendas do vale, ligando a região tanto ao caminho do porto de Santos quanto à então capital do Império, o Rio de Janeiro.
Antes dos trilhos, o transporte da produção dependia de tropas de mulas e de caminhos precários, lentos e caros, sobretudo na época das chuvas. A ferrovia prometia encurtar em horas trajetos que levavam dias e reduzir perdas no caminho. Não por acaso, as estações foram surgindo perto dos núcleos que já tinham alguma vida comercial, e os povoados que ganharam uma parada tenderam a crescer mais depressa do que os vizinhos que ficaram longe da linha.
Para baratear a construção, a companhia adotou a bitola métrica, com trilhos separados por um metro. O primeiro trecho, a partir de São Paulo, foi aberto em 1875. A obra avançou em direção ao leste, cruzou a área de Mogi das Cruzes e alcançou Guararema em julho de 1876. Em 12 de maio de 1877, os trilhos chegaram a Santo Antônio da Cachoeira, a atual Cachoeira Paulista, ponto de encontro com a ferrovia que vinha do lado fluminense.
A estação não nasceu com o nome da cidade. Por causa da proximidade com o rio, ela foi aberta como Parahyba, na grafia da época. O nome mudou no ano seguinte para Guararema, que já identificava o povoado.
E que povoado era esse? A ocupação da área remonta a 1611, quando Gaspar Vaz fundou o aldeamento da Escada, para onde foram levados indígenas da região. Em 1652, padres jesuítas ergueram a primeira capela do arraial. O lugar teve idas e vindas administrativas no século 19: foi elevado a freguesia em 1846, perdeu a condição em 1850 e só em 28 de fevereiro de 1872 tornou-se definitivamente distrito de paz.
Foi sobre essa base modesta que a ferrovia chegou. Com a estação, o arraial ganhou ligação regular com a capital e com o Vale do Paraíba, e o movimento de mercadorias e passageiros passou a girar em torno dos trilhos.
O impulso trazido pelo trem ajudou a transformar o povoado em sede de município. Guararema foi elevada à categoria de município pela Lei nº 528, de 3 de junho de 1898, pouco mais de duas décadas depois da inauguração da estação. A primeira Câmara Municipal foi instalada em 19 de setembro de 1899, marco da vida política própria da cidade.
A sequência ajuda a entender por que a estação é tratada como peça fundadora da identidade local. Ela não é apenas um prédio antigo no centro: é o ponto a partir do qual o arraial passou a ter relevância econômica suficiente para se emancipar.
A companhia original não teve vida longa. Em 1896, a Estrada de Ferro do Norte foi incorporada à Estrada de Ferro Central do Brasil, que passou a administrar a linha entre São Paulo e o Rio e investiu em sua modernização.
O prédio atual é resultado dessa fase. A estação original foi demolida e reconstruída em 1927 pela Central do Brasil, e é essa edificação, com quase um século, que permanece de pé.
Ao longo do século 20, a linha viveu o auge e o declínio do transporte ferroviário de passageiros no país. Com a construção de variantes e a reorganização do sistema ferroviário, os trens de passageiros deixaram de atender Guararema no fim do século, e o trecho ficou um período sem uso regular. Em 2003, trens de carga voltaram a circular pela linha, que continua em operação para esse tipo de transporte.
A virada mais recente veio nos anos 2010, quando a Associação Brasileira de Preservação Ferroviária (ABPF), por meio da sua Regional Sul de Minas, decidiu instalar em Guararema um trem turístico de passageiros. A entidade restaurou as estações de Guararema e de Luís Carlos, uma vila ferroviária do município, e passou a operar o percurso entre as duas.
O passeio virou um dos principais atrativos da cidade. Segundo a organização do trem, ele funciona em fins de semana, feriados e pontes de feriado, com saídas pela manhã e à tarde. A viagem completa leva cerca de duas horas, contando o trajeto até Luís Carlos, uma parada para visitar a vila e o retorno a Guararema. A estação de Luís Carlos, de 1914, foi restaurada em 2011 e compõe, com o casario da vila, um cenário que atrai famílias e fotógrafos.
Para quem pretende ir, algumas orientações práticas:
O trem se tornou um dos símbolos de uma cidade que aposta no turismo. No fim de 2025, a Assembleia Legislativa aprovou o projeto que promoveu Guararema à categoria de Estância Turística, dentro da revisão que elevou para 78 o número de estâncias do estado. A classificação dá acesso a mais recursos estaduais para infraestrutura turística, e atrações como a estação, a vila de Luís Carlos e as margens do Paraíba formam a vitrine desse título.
Para quem mora no Alto Tietê, a estação oferece também uma lição de história regional. Mogi das Cruzes, Guararema e as cidades do vale cresceram amarradas ao mesmo eixo de transporte, primeiro com os tropeiros, depois com os trilhos e, mais tarde, com as rodovias. Olhar para o prédio de 1927 é olhar para a camada ferroviária dessa história, a que explica por que tantas cidades da região têm o centro antigo encostado na linha do trem.
Quem for à estação com atenção à história encontra algumas pistas do passado ferroviário:
A melhor forma de celebrar os 150 anos é essa: usar a estação, conhecer o que ela conta e entender que a cidade atual começou, em boa parte, com a chegada de um trem.
Em 2 de julho de 1876, pela Estrada de Ferro do Norte. Ela foi aberta com o nome de Parahyba e passou a se chamar Guararema no ano seguinte.
Não. A estação original foi demolida e reconstruída em 1927 pela Estrada de Ferro Central do Brasil, que havia incorporado a linha em 1896. É esse prédio de 1927 que permanece de pé.
Pela Lei nº 528, de 3 de junho de 1898. A primeira Câmara Municipal foi instalada em 19 de setembro de 1899.
Não há trem de passageiros regular. A linha tem trens de carga e o trem turístico operado pela ABPF, que liga Guararema à vila de Luís Carlos em fins de semana e feriados.
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